Missão empresarial procura reforçar relações com Colômbia e Equador

Desde 1 de janeiro deste ano, o Equador é o terceiro país que integra o tratado de livre comércio entre a União Europeia (UE), de um lado, e a Colômbia e o Peru, do outro.
Na prática, ao acordo existente entre estes dois países sul-americanos e a UE foi acrescentado um novo protocolo que permite ao Equador fazer parte desse tratado.
Em declarações à “Vida Económica”, José Rafael Bustamante afirmou o seu desejo de reforçar as relações bilaterais entre os dois países. “Queremos que haja empresas portuguesas que vendam os seus produtos e serviços ao Equador e vice-versa, nunca esquecendo e aproveitando as vantagens que cada país tem”.
Integrando uma visita a Portugal, nomeadamente à cidade do Porto, de alguns empresários equatorianos, o advogado assegurou ainda que esta visita “é importante para melhorar a comunicação comercial entre Equador e Portugal, uma vez que empresários importadores e exportadores de ambos os países podem fazer contactos e iniciar um vínculo que não existiu até hoje”.
Desafiado a enumerar alguns dos setores com maior potencial, o empresário notou que “Portugal tem uma grande indústria de cerâmica, de calçado, de turismo, tecnologia e temos que levá-los para o Equador. Já o Equador tem uma grande produção agrícola, como a banana, cacau, café, camarão que tem de trazer para Portugal”.
Exportações para a Colômbia cresceram 40%
Acompanhando a mesma visita, Rosário Marques, presidente executiva da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Colombiana (CCILC), explicou igualmente à “Vida Económica” que este organismo tem vindo a trabalhar no desenvolvimento no relacionamento entre Portugal e Colômbia, através do projeto Inter Mais, financiado pelo Programa Compete 2020.
Reconhecendo que ainda não existe nenhum investimento direto relevante de capitais colombianos em Portugal, sendo que a última tentativa deu-se com a tentativa de compra da TAP, a responsável salienta contudo que o mesmo não se pode dizer das empresas portuguesas a investirem na Colômbia. Na verdade, adianta a responsável, o “aumento das exportações para a Colômbia nos últimos cinco anos é de cerca de 40%”.
Em 2016, mais de 400 empresas portuguesas exportaram 59 milhões de euros para a Colômbia (apenas 0,17% de quota de mercado) sendo Portugal já o sétimo maior investidor estrangeiro no país. Entre os maiores investidores estão grupos farmacêuticos, como a Bluepharma, ou o grupo Jerónimo Martins, que abriu o primeiro supermercado Ara em dezembro de 2012 e, hoje, possui 228 lojas em três regiões da Colômbia.
Salientando que o país tem hoje uma economia em franco crescimento, com uma taxa média de crescimento nos últimos cinco anos de cerca de 4,5%, a responsável afirma que existe um grande aumento da classe média, maioritariamente jovem, e que por isso existe uma grande apetência pelo consumo, nomeadamente sapatos, materiais de construção, têxteis e outros.
Assegurando que “as empresas portuguesas têm vantagens específicas naquele mercado”, nomeadamente “a marca Portugal, o design europeu, o preço, a diferenciação do produto, a qualidade e a cerrificação”, Rosário Marques revela ainda que os setores com maiores oportunidades de negócio na Colômbia são, hoje. os de engenharia e construção, saúde e biotecnologia, tecnologias de informação e comunicação, moda (têxtil e calçado), turismo, fileira casa, máquinas e equipamentos e energia e meio ambiente.
Agricultura a agroindústria concentra maiores oportunidades de investimento
Mercê dos acordos de paz, a economia colombiana irá receber a canalização de fundos de vários países para tentar reintegrar vários setores da sociedade. Nesse sentido, a presidente executiva da CCILC assegurou que “existe uma parte substancial do país que está inexplorado, com um enorme potencial na agricultura e na agroindústria”.
Porém, ressalva a responsável, existem alguns obstáculos a enfrentar, pois para venderem os seus produtos e serviços as empresas portuguesas “têm que lá estar”. “Vender produtos não se faz com apenas uma viagem. No caso do azeite e do vinho, é uma questão de preço, mas se tivermos a falar de moda é preciso estar próximo do consumidor para adaptar o produto aos gostos e à cultura. Ora, instalar uma empresa num país é caro e os empresários portugueses têm muitas vezes orçamentos limitados”, nota a presidente executiva da CCILC. Ainda assim, Rosário Marques garante que, na América Latina, a “Colômbia é um dos melhores países para estar e para se investir. E não nos devemos esquecer que os Estados Unidos da América têm há muitos anos uma relação muito próxima com todos os países do Continente Americano”, remata.
2017-03-10 09:52
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Fernanda Silva Teixeira, Vida Económica
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