Relação Portugal/Colômbia evoluiu “muito”

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Rosário Marques, presidente executiva da CCILC, foi entrevista pelo jornal OJE, para falar do estreitar das relações comerciais e do reforço dos laços entre Portugal e a Colômbia. “Existe um potencial de complementaridade” a que ninguém fica indiferente.

Portugal e a Colômbia não têm uma relação comercial de séculos, como acontece com outros países da América Latina, mas de há uns anos a esta parte tem havido uma clara, e positiva, evolução. O que levou a este estreitar de laços? 
Em primeiro lugar a perceção, por parte do poder político, do potencial de complementaridade existente entre Portugal e a Colômbia que foi posteriormente passado ao tecido empresarial português. Adicionalmente, a ação que a Câmara de Comércio e Indústria Luso-Colombiana tem vindo a desenvolver desde 2012 e que, apoiada pelos projetos financiados pelo COMPETE, muito ajudou na divulgação do potencial do mercado colombiano junto das empresas portuguesas. Por último, os projetos portugueses já concretizados com êxito neste mercado também fizeram com que os empresários portugueses olhassem para a Colômbia como um dos mercados que, atualmente, se apresenta com maior potencial a nível mundial.

 

Atualmente, como se caracterizam, e que peso assumem, as relações comerciais entre Portugal e a Colômbia? 
As relações económicas entre Portugal e a Colômbia têm vindo a evoluir muito favoravelmente nos últimos anos. Exemplo disso é o valor das exportações nacionais de bens para a Colômbia, que hoje em dia, é cinco vezes superior ao que era em 2010.

 

Que mudanças foram introduzidas no sentido de contribuir para aumentar o investimento português neste país? Hoje, porque devem as empresas portuguesas investir na Colômbia?
As empresas portuguesas devem investir na Colômbia por diversos fatores mas realço o crescimento sustentado da economia na última década, o crescimento do consumo interno, o aumento significativo da classe média e a existência de perspetivas de crescimento sustentado do PIB para a próxima década (que se prevê situar ao redor dos 5%). Aliado a tudo isto acresce o facto de a Colômbia ser um país democrático com um sistema jurídico forte. O Acordo de Livre Comércio recentemente ratificado e o Acordo para evitar a dupla tributação também já aprovado tornam este país muito interessante para a internacionalização das empresas portuguesas.

 

Que condições e características devem reunir as empresas, sobretudo as médias, para ter sucesso na Colômbia? Como se devem preparar?
As empresas deverão prepara-se de forma a evitar problemas como alguma carência de aconselhamento estratégico e jurídico que permita antecipar problemas e respetivas soluções falta de músculo financeiro e apoio bancário, bem como um desconhecimento da cultura colombiana de negócios.

 

Em que setores do mercado colombiano existem mais oportunidades para as empresas portuguesas? Existem novas tendências?
A Colômbia corresponde a um mercado de cerca de 50 milhões de habitantes com uma superfície equivalente a Portugal, Espanha e França. Nesse sentido, para além de Bogotá (capital do país com um número de habitantes semelhante a Portugal) existem cidades com dimensão entre 500 mil e 1,5 milhão de habitantes cujos potenciais de crescimento são enormes. Como costumo dizer, existem oportunidades para todos os setores portugueses em toda a Colômbia. Gostaria contudo de destacar as oportunidades atualmente existentes no setor da construção civil e materiais de construção. De facto, Portugal, representado pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Colombiana, será mesmo o país convidado de uma das mais importantes Feiras da América Latina no setor da Construção Civil a Expo-CAMACOL que se realiza em Medellin de 24 a 27 de agosto de 2016, por iniciativa da Cámara Colombiana de la Construcción – CAMACOL.

 

De que forma pode a CCILC apoiar empresas que querem apostar na Colômbia?
Sou da opinião que as Câmaras de Comércio ampliam a ação das agências de promoção dos Países. Sendo uma associação privada, temos uma grande proximidade com as empresas associadas conhecendo as suas necessidades específicas. Aliado ao conhecimento profundo que possuímos do mercado colombiano acreditamos que potenciamos as respetivas estratégias de internacionalização ou exportação das empresas.

 

Entrevista de Sónia Bexiga, para o jornal OJE

Fonte: PortugalGlobal, OJE